sábado, 30 de outubro de 2010

Silêncio






Muito triste...todos os dias sinto carregar um peso enorme dentro de mim...mas este sábado estou me sentindo como se estivesse, tentarei explicar em palavras, "pasma" com o que aconteceu comigo e minah dor. Sim, tem momentos que fujo da realidade, e parece que isso não está me acontecendo. Os dias de sábado são horríveis, mais horríveis que os outros. Domingos também não são menos piores. Eram os dias que ela combinava de sair com os amigos, o namorado, ir ao shopping, ao cinema ou àquela baladinha, que o vô (já que não dirijo, e ia para a auto-escola por isso), ficava esperando até uma da manhã na sala para ir buscá-la, vendo TV e dormindo no sofá. E eu e minha mãe também, acordadas, esperando o telefone tocar.

 
Perceber que essa vida toda acabou, e este apartamento a representa, este silêncio a chama, como se chamasse a vida de volta, é terrível. Corredores, sala, quartos, tudo sem vida, nada faz sentido, até o sofá que ela gostava de deitar na sala me aperta o coração...eu queria mudar daqui logo que tudo aconteceu, pedia ao meu pai, ele estava vendo...agora aos poucos parei de pedir, por enquanto não consigo sair, não é o lugar que vai amenizar a lembrança dela...por onde eu for ela estará comigo, a ausência dela continuará presente (que frase mais contraditória e real).
Um sábado de silêncio, que o telefone não toca sem parar, que os risos não invadem a casa, que não a vejo linda toda pronta para sair, que não escuto o barulho do msn alto, assim como as músicas, o dia inteiro.
Que vazio. Não é justo ela não estar aqui. Teria somente 16 anos. Sim, tenho direito de dizer que não é justo. A vida não é boa comigo, sem fazer papel de vítima, mas desabafando. Tudo que falo aqui é desabafo, sem pedir por pena. É dividir. Realmente, não vim a este mundo a passeio. Vim para tomar chibatada.

Eu ando muito ruim estes últimos dias, minha mãe não gosta que eu fale nisso, mas têm vindo à minha mente a lembrança dela ali, imóvel, o rostinho ja frio e os meus beijos que não puderam acordá-la. As mãos que inocentemente já cruzadas tentei enlaçar as minhas mas já estavam empedernidas e não conseguia mexê-las. Como era possível que as mãozinhas da minha filha não se abrissem facilmente e os dedos ficassem ali, grudados? Este pensamento vem me perturbando...sempre que vem, peço que Jesus me ajude a esquecer.
Nunca vou entender o que aconteceu e o que está acontecendo comigo.
O silêncio dos lábios dela, que não se abriam para falar comigo, nem com os amigos que gritavam para ela acordar... 
Sei que a alma dela já tinha voado para muito alto, mas era minha menina que estava ali, que, como disse Glória Perez, queria colocar de novo dentro do meu ventre para proteger de tudo e dar-lhe a vida outra vez.
Fiquem com Deus    

4 comentários:

Andréa disse...

Patrícia, nem sei como cheguei no seu blog, mas vi que vc perdeu sua filha e que sua dor é muito grande...queria poder te dar um abraço, poder de alguma forma amenizar essa dor que vc está sentindo. Conheço uma pessoa que passou por tudo o que vc está passando e gostaria de apresentar o blog dela pra vc
http://meusebastian.blogspot.com/
quem sabe posso te ajudar de alguma maneira...Um abraço bem forte e força pra vc!!!
Andréa Klauberg

Marcos disse...

Patrícia

Não sei o que dizer, a sua dor é imensa, só quero dizer que sou solidário, que gostaria de poder ajudar, mesmo, estou por aqui, se precisar de alugma coisa, estarei pronto pra ajudar, vc sabe, continuarei orando...

Fica com Deus

Patricia disse...

Olá Andréa, pessoas como você que querem abraçar uma mãe com a dor sem nome e amenizar-lhe a dor sentem no coração a verdadeira solidariedade.

Vou visitar o blog, sempre procuro mães como eu também...

Só de você vir aqui, se expressar, mostrar que está na minha vida mesmo de longe, ajuda...

Patricia

Patricia disse...

Marcos, obrigada pelas orações, sempre.
Patricia