quarta-feira, 23 de março de 2011

E nós, mães que sofrem?




"Mais lamentável do que uma ilusão desfeita…
É uma vida sem ilusão."

Gente...está doendo. Era para eu estar dormindo porque acordo cedo para ir trabalhar amanhã. Estou lendo algumas revistas e nelas, histórias de mulheres de "fibra." Por que não encontro a de nenhuma mãe que se despediu de seu filho(a)? Somos esquecidas? Não existimos? Não sobrevivemos à uma guerra? Que mundo é este? Basta de revistas, que me deixaram mais infeliz agora, falando do cuidado da mãe por seus filhos. Que saudade de cuidar da minha filha. Não posso cuidar dela. Eu me sinto presa, amarrada. Uma sensação estranha. Horrível, na verdade.
Muitas, mas muitas mães mesmo, tem que levar o filho cadeirante para escola, pegar o ônibus e deixar o filho na creche; outras choram agoniadas pela saúde de seus filhos no hospital, outras não os verão nunca mais;  e a realidade não é ser "a mulher moderna" que deixa o filho na escola e no caminho para o trabalho aproveita o sinal parado do trânsito para retocar o blush, "na correria"(belo problema, este). Escrevo muito para jornais, revistas, sou crítica, já tive algumas surpreendentemente publicadas por dar-lhes bronca mesmo...

Enfim, procuro fazer algo para me distrair, mas não dá, porque meu cérebro parece uma máquina que não desliga, tudo associando à minha vida, à minha filha, ao mundo que vivo. Então paro. 
Já não faço mesmo mais parte deste mundo "irreal" , mesmo caminhando nele. Quero meu caminho, onde está?
Vou tomar meu calmante, a angústia é forte o tempo todo, esta noite eu sentia vontade de conversar com ela, que falta, que falta.
E o dia de amanhã, cuidará de si mesmo. O peito dói, fisicamente. Filha, te queria aqui. Que saudades que eu sinto.

"Tanto tempo não te vejo
Que saudades que eu sinto...
De olhar nos seus olhos, sentir teu abraço...
É verdade, eu não minto..."

Boa noite, filha, te amo.
Boa noite para vocês também.

7 comentários:

amigos solidarios na dor do luto disse...

Querida Patricia, quando te conheci te adotei pois meu neto Saulo, partiu quase com a mesma idade da Carol,comecei a trabalhar no grupo achei que era por amor a ele mas como passar do tempo vi que era por amor a mim mesma,pois se estivesse bem tenho certeza que era isso o que ele queria podia ajudar outras pessoas que estava passando o que eu passei hoje já consigo trocat aquela saudaes dolorida por uma mais suave e por que não amena!!! Acredito que Carol e Saulo espiritos de luz estão recebendo com muito amor os que estão chegando.
Te amo com carinho Zelinda.

AmandaRafaela disse...

As mães não deveriam chorar a morte de seus filhos. Ao concebê-los, deveriam receber, com carinho do Céu e assinado por Deus uma certidão de garantia, para vê-lo crescer, sempre risonhos e saudáveis. Ao lado deles, poderiam comemorar suas vitórias, suas conquistas.... E depois de muito tempo quando sentissem a conclusão de seu ciclo aqui na terra, elas teriam o direito de serem velados por seus filhos, todos eles....... A fim de seguir feliz sua viagem ao reencontro do Criador. Os filhos para as mães deveriam ser sempre vivos, pois não foram concebidos para a morte, mas para a vida. Nada neste mundo é mais triste, mais doloroso, do que o choro de Mãe que perde um filho. Elas não merecem isto. Nunca mereceram......

Querida Patrícia.... Como eu gostaria de chegar perto de você e dizer que tudo isso não passou de um pesadelo.... Sinta meu forte abraço.... Estou orando por vc....!!!!

Grande beijo.

amigos solidarios na dor do luto disse...

Querida Patricia,
desde o dia que te conheci, te adotei, porque, assim como vc, eu sei da sua dor, pois meu neto Saulo, tinha a mesma idade da Carol...Se eu estivesse bem, eu poderia ajudar outras pessoas.
fui para o grupo por amor a ele, mas com o passar do tempo, vi que era por amor a mim mesma, porque sei que o meu neto, me acompanha em todos os momentos da minha vida. Se ele estivesse aqui, eu nunca teria a chance de fazer este trabalho, que para mim é tão gratificante... Acredito que o Saulo e a Carol, como anjos de luz, estão recebendo com muito carinho aqueles que estão chegando.

Patricia disse...

Amanda, o que mais queria era que fosse um pesadelo...ela me faz falta todos os instantes e é como se meu coração quisesse pular para fora e mudar tudo isso.

Patricia disse...

Zelinda, é lindo o trabaljho que você faz, não tenho palavras para descrever sua bondade, como acolhe todas as mães com desespero, me adotou como uma filha no grupo e é assim que me sinto.
Vocês todas são maravilhosas e preciso muito de vocês para poder continuar este caminho tão difícil, assim como vocês podem contar comigo sempre que precisarem. É tão difícil olhar para mãezinhas como eu, me dá uma vontade de querer que tudo aquilo não fosse verdade, que no dia seguinte acordaríamos e nossa vida tivesse voltado a ser como antes.
Deus abençoe a vocês

maaziote disse...

Também quero expressar a minha dor, como mãe perdi meu filho caçula com 21 anos de idade. Ele era um jovem sadio mais de repente tudo mudou na nossa vida e meu lar já não é mais o mesmo, buscamos forças em DEUS porque Ele a nossa força.
Meu nome é mae triste.

Patricia disse...

Mazziote, venha dividir, minha amiga. Desculpe o atraso na resposta. Há algumas que por serem postadas mais tardiamente, só vejo depois.
Faça parte de nossas vidas. Sinto muito pelo seu filho, porque assim como minha filha, que era saudável e partiu da noite para o dia, e nossas vidas acabaram.
Nossos nomes são "mães tristes", minha amiga.