domingo, 9 de outubro de 2011

Não falem para uma mãe que perdeu o bebê no ventre ou perdeu seu filho






Desde que temos a certeza da vida de nossos filhos em nós, o amor nasce de forma incondicional. Por duas vezes, não lembro se contei a vocês, tive a ameaça de perder Carol, no 3º e 5º mês. Foi um desespero horrível, no qual fui encaminhada às pressas para o hospital por meus pais, e meus gritos eram de medo e pavor no carro porque eu não queria perder minha filha, e desde então já via minha vida completamente sem sentido sem ela. Graças a Deus, duas vezes foram ameaças, vi que estava tudo bem com ela na ecografia e ouvi seu coraçãozinho bater. Eu não precisava de repouso total, mas não podia andar muito. Segui as recomendações para evitar passar por aquilo, aqueles momentos de horror novamente, até o fim da gravidez. Foi um deslocamento leve de placenta, que ocasionou o sangramento que tanto me assustou. E não, não diria agora que queria tê-la perdido ali para poupar a dor horrível de hoje. Porque se isso tivesse acontecido, eu não teria conhecido minha filha que tanto amei e amo, e não deixaria de ser mãe dela mesmo que soubesse que teria que viver essa dor.       



Carta escrita por uma enfermeira americana que perdeu seu bebê ainda em seu ventre.Esta mensagem expressa exatamente o que todas nós que passamos pelo mesmo drama terrível precisamos e achamos melhor enquanto a cura não vem.




"Quando mulheres vivenciam a perda de uma criança, uma das primeiras coisas que elas descobrem ter em comum é uma lista de coisas que elas desejariam que ninguém nunca tivesse dito a elas.

As listas tendem a ser parecidas.

O texto a seguir serve para ajudar na comunicação entre as mulheres que passaram por esta situação e seus amigos ou familiares sobre suas necessidades emocionais após vivenciarem esta perda.
Os comentários raramente são maliciosos - são apenas ingênuas tentativas de acalmar.
Esta lista foi feita para ajudar outras pessoas a entender e respeitar a dor da perda gestacional.


Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um bebê, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está procurado por opiniões (de leigos) sobre porque isto aconteceu ou como ela deveria se comportar.

Não diga: É a vontade de Deus. Mesmo se nós somos membros de uma mesma congregação, a menos que você seja um dirigente desta igreja e eu estiver procurando por sua orientação espiritual, por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra.Ele apenas permite .Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis.

Não diga: Foi melhor assim havia alguma coisa errada com seu bebê. O fato de haver alguma coisa errada com o bebê é que me faz tão triste. Meu pobre bebê não teve chance. Por favor, não tente me confortar destacando isto.

Não diga: Você pode ter outro. Este bebê nunca foi descartável. Se tivesse a escolha entre perder esta criança ou furar meu olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta
criança, assim como você morreria por seu filho.Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi,


Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?

Não diga: Agradeça a Deus porque você perdeu seu filho antes de amá-lo realmente. Eu amava meu filho ou minha filha. Ainda que eu tenha perdido meu bêbê tão cedo ou quando nasceu, eu o amava.

Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre.A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu.

Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um bebê, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente.


Não me conte estórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas estórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.


Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser antes do bebê morrer... Ou quando eu estava grávida...não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Deixe-me falar. Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha.



Não me diga: Bem, você não estava tão certa se queria ter este bebê... Eu já me sinto muito culpada sobre ter reclamado sobre mal estar matinais ou que eu não me sentia preparada para esta gravidez ou coisas assim. Eu já temo que este bebê morreu porque eu não tomei as vitaminas, comi ou tomei algo que não devia nas primeiras semanas quando eu não sabia que estava grávida. Eu me odeio por cada minuto que eu tenha limitado a vida deste bebê. Se sentir insegura sobre uma gravidez não é a mesma coisa que querer que meu bebê morra, eu nunca teria feito esta escolha.



Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloqüente. As palavras dizem por si.


Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos.


Diga: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou vocês são os pais mais maravilhosos e este bebê teve sorte em ter vocês. Nós dois precisamos disso.


Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir que meu bebê era amado. Não envie novamente se eu não responder.

Não ligue mais de uma vez e não fique brava (o) se a secretária eletrônica estiver ligada e eu não retornar sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, não tente novamente. Ajude-me desta maneira por enquanto.


Não espere tão cedo que eu apareça em festas infantis e ou chás para bebes ou vibre de alegria no dia das mães.Na hora certa estarei lá.

Se você é meu chefe ou companheiro de trabalho:

Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica. Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço.

Por favor, não traga seu bebê ou filho pequeno para eu ver. Nem fotos.Se sua sobrinha está grávida, ou sua irmã teve um bebê há pouco, por favor, não divida comigo agora. Não é que eu não possa ficar feliz por ninguém mais, é só que cada vez que vejo um bebê sorrindo ou uma mãe envolta nesta felicidade, me traz tanta saudade ao coração que eu mal posso agüentar. Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas. Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta.Eu serei aquela que perguntará pelos bebes, ou como está aquele garotinho lindo?


Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu.

A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte do meu bebê é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto.

Ajude-me. "


13 comentários:

Aline disse...

Muito pertinente esse texto, realmente percebo que quando uma mãe perde o bebê ainda em seu ventre, muita gente acha que essa mãe não sentirá tanto, pois não chegou a "conhecer" o filho, mas tenho certeza de que também deve ser um sofrimento muito grande, pois a mãe acaba de certa forma se culpando pela perda desse bebê. Um filho é amado desde o momento em que descobrimos que ele existe dentro de nós, e não só a partir do momento em que ele nasce. Espero que esse texto ajude a conscientizar as pessoas sobre isso.
Beijos, e fique com Deus!

Auxiliadora disse...

Oi Patrícia!
Mãe missionária!!!! Como é importante orientar as pessoas de como proceder para não intensificar nos corações das mães a dor que infelizmente sentem. O que muitos pensam ser um conforto, mal sabem que não passam de ferimentos muito agravantes. O que sentimos somente Deus tem alcance...penso também que o homem é incapaz de imaginar. Obrigada!!!
Bijo em você e Carol! Com Deus!

O que é imortal não morre no final disse...

Hoje, 19 semanas e 2 dias!

O que é imortal não morre no final disse...

É bem assim que estou
É tudo o que restou
Eu tive que escolher
Entre eu e te perder
Que pena tudo acabou
Eu cresci e agora sou mulher
Tenho que encarar com muita fé
Seria o bastante
Eu vou seguir o meu caminho
Mas te esquecer?
Pensar um pouco em mim
Tentar viver
Seria o bastante
O que é imortal
Não morre no final
E se distante é assim
Isso não vai ter fim
Nem que eu quiser você sai de mim
Eu já tentei mas te esquecer assim
Não dá
Quem escolheu foi eu
E tenho que aceitar
Mas não foi erro meu
Você no meu lugar
Faria exatamente igual
O que é imortal
Não morre no final
E se distante é assim
Você é imortal...

Patricia disse...

Beijos carinhosos, minhas amigas,eu amo cada uma de vocês.

Paty Michele disse...

Eu perdi um bebê no ventre, seis meses de pois de perder meu irmão. foi muito triste, mas superei. Já tenho um filho, mas quero ter outro, quero ter o que perdi, quero dar a ele a chance de nascer.

Um bjo, querida.

Unknown disse...

Amei tudo que li , pois acabamos de perder o Gabriel e vim aqui no pc aprender com alguém como abraçar uma mãe e o que falar ou até mesmo o que não falar nesa hora tão dolorosa. Abraço Irene

bia costa disse...

To no hospital esperando pra fazer curetagem... Tava de 9 semanas com o meu bb foi junto parte d mim...

Patricia disse...

Olá, irmãs na dor, só posso lhes transmitir o meu amor e carinho, e lembrar que não estamos sozinhas...
Se quiserem entrar em contato comigo também pelo facebook, eu tenho a comunidade: "Mães na dor do luto."
Ajudamos umas às outras a sobreviver.
Fiquem com Deus.

Suelen Victoria disse...

Oi

Suelen Victoria disse...

Oi gurias,ja faz quase 3anos que tive o meu primeiro aborto dos meus gêmeos.Logogêm seguida tive outro aborto,e sabe o que mais me marcou?
Foi o: Não fica assim,Deus sabe o que faz��
Aquilo me deu uma raiva tão grande por dentro e ao mesmo tempo uma tristeza que não sei explicar.
Sabe hoje eu tenho um baby lindo de 1 ano e 2 meses que apesar de ter nascido prematuro é bem saudável.Mais ainda me pego pensando nos meus três anjinhos que não estão aqui comigo.��
Eu sei que naquele momento triste as pessoas só queriam me consolar e acabei ouvindo a maior parte destes absurdos citados no texto,mais talvez o que as pessoas nao entendam é que mesmo antes de nascer meus anjinhos eram muito amados. Não pude viver meu luto,pois minha mãe me dizia pra eu ser forte,pq na nossa familia só tem mulheres fortes.Fiquei internada 8 dias depois da curetagem,pois eu estava com uma infecção por causa dos babys ja mortos,e o pior vcs não sabem...
Me colocaram em um quarto onde só tinha mamães felizes com seus babys que tinham acabado de vir ao mundo.Fiquei mais arrazada ainda,nunca vou me esquecer.E pra piorar,após 8 dias internada ia ser o aniversário de uma tia muito querida e a famia ia se reunir.Eu nao quiz estragar a festa e fui,ninguém tocava no assunto,me olhavam com aquele olhar de pena,sabe?
Mais eu não chorei,me mantive forte!
E talvez por isso hoje,ontem e talvez amanhã. eu ainda choro escondida�� pois sinto uma saudade dos filhos que perdi e não pude pegar no colo.Sinto uma saudade dos meus anjinhos,uma parte de mim morreu,foi junto com eles.
Me esforço pra ser uma boa mãe para o meu pequeno milagre,mais uma parte da mãe que eu ia ser,morreu.Nunca,Nunca vou esquecer meus 3 anjinhos,nunca vou entender a vontade de Deus,mais procuro aceitar.
Eu tenho plena consciência que meu filho é um milagre de Deus,pois passamos por muita coisa pra ele poder nascer,mais eu passaria qualquer coisa na vida,qualquer mesmo pra ter os 4 aqui comigo.
Bom gurias é isso...
O que eu sinto em relação aos meus babys que perdi,é como se eu tivesse uma ferida,que ta cicatrizando,mais se mecher ainda sangra...
Fiquem com Deus��
Bjos...

Flavia Camargo disse...

Olá,

venho lhe convidar para conhecer o meu livro "Quatro Letras", que foi escrito com muito carinho e com o objetivo de compartilhar o aprendizado que tive com a recente experiência de perder meu filho com quatro dias de vida.

Escrevendo, eu consegui organizar meus pensamentos e sentimentos, e compreendi que havia muito mais motivos para agradecer do que reclamar, pois tive a grande oportunidade de conhecer um amor profundo e que ultrapassa todas as barreiras!

Meu livro está sendo vendido no site www.bookstart.com.br/quatroletras através de uma campanha de financiamento coletivo. Para a minha surpresa, consegui atingir a meta para publicação em apenas 10 dias e por isso não existe mais risco do livro não ser publicado. Apesar de ter alcançado o valor necessário para a publicação, ele vai continuar sendo vendido até o dia 12/01/2016.

Não haverá lançamento, ele só pode ser adquirido pela internet. Quem se interessar e quiser comprá-lo, vai receber o livro em sua casa pelo correio. Espero que muitas pessoas possam se emocionar com minhas palavras, que escrevi para levar uma mensagem de bem para todas as pessoas!

Gostaria de dar uma entrevista para o seu site falando sobre o livro. Se tiver interesse em me entrevistar, estou à disposição.

Obrigada!

Adriana Loureiro disse...

me identifiquei com o texto. tenho vivido uma tristeza profunda desde o incio do mes ao perder meu bebe ainda em meu ventre aos 2 meses de gestação. toos tentam me consolar falando que foi livramento de Deus que o bebe poderia ser sindromico, mas poucos querem ouvir que foi minha primeira gestação, tenho 43 anos e nao sei se vou ter oura chance. queria muito estar com bebe vivo. vejo tantas mulheres que tentam o aborto, abandonam seus filhos, e eu nao pude ter o meu. não tenho doenças, não sou viciada...não entendi o porque que meu bebe não desenvolveu mais. obrigada pelo texto.